INFORMAÇÃO GERAL
Com o seu centro histórico recentemente declarado Património da Humanidade pela UNESCO, Guimarães junta esse galardão a outro título que exibe por direito próprio, o de berço da nação Foi no seu altivo e monumental castelo que nasceu, no século XII, o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
O centro histórico agora distinguido está extremamente bem conservado e as ruas estreitas e de aspecto medieval, com casas antigas embelezadas por estátuas ou varandas de torneados, conduzem ao belíssimo Largo da Oliveira, um dos centros de maior interesse.
O Paço dos Duques de Bragança (século XV), o magnífico mosteiro e igreja de Nossa Senhora da Oliveira (com o museu Alberto Sampaio alojado no belo claustro da Colegiada), o Padrão do Salado (século XIV, de estilo gótico) ou a elegante igreja de São Francisco, com os seus deslumbrantes azulejos do século XVIII, são apenas alguns dos muitos monumentos a visitar.
A cerca de 5 km da cidade, o antigo mosteiro de Santa Marinha da Costa (século XII) é uma das mais sumptuosas pousadas do país, e os seus jardins e capela estão abertos ao público.
As ruínas de construções defensivas e habitações da Idade do Ferro na Citânia de Briteiros ( 15 km a norte de Guimarães) constituem uma das mais interessantes estações arqueológicas de Portugal.
De resto, o concelho é caracterizado pela sua industrialização, agricultura (milho, vinho, batata e feijão), a atenção dada à doçaria tradicional, e a também tradicional alegria do Minho, visível nas numerosas festas e romarias.
Durante a primeira semana de Agosto, as Festas Gualterianas, em Guimarães, retratam a arte e os costumes medievais.
ENQUADRAMENTO GEOGRÁFICO
O Concelho de Guimarães fica situado no Distrito de Braga e na sub-região do Vale do Ave (Nut III); está limitado a norte e noroeste pelos concelhos de Póvoa de Lanhoso e Braga, respectivamente, a sudoeste por Santo Tirso, Felgueiras e Vizela, a nascente pelo concelho de Fafe e a poente por Famalicão. É atravessado por várias vias: EE.NN. (101, 105, 106 e 206), o IC5/A7 e A11 e a breve prazo o IP9.
Possui uma área total de 24.232 ha , distribuídos pelas suas 69 freguesias. É um concelho densamente povoado, com cerca de 160.000 habitantes (prevendo-se atingir os 188.178 habitantes até ao ano 2010) e um dos mais jovens da Europa.

CIDADE ACTUAL
A 13 de Dezembro de 2001, o Comité do Património Mundial, na sua 25ª sessão, inscreveu o Centro Histórico de Guimarães na Lista do Património Mundial da UNESCO. Para tal foi tido em linha de conta a ligação de Guimarães à fundação da nacionalidade portuguesa, as técnicas de construção aí desenvolvidas na Idade Média que foram transmitidas além fronteiras, e também o facto de Guimarães ilustrar a evolução de várias tipos de construção, nomeadamente dos séculos XV a XIX.
A qualidade de vida da população vimaranense, a par da preservação do legado patrimonial singular herdado de gerações passadas são preocupações constantes da autarquia.
Estas preocupações estão patentes no processo de reabilitação urbana e social do centro histórico, iniciado da década de 80, e que consta fundamentalmente da requalificação de habitações, praças e edifícios públicos - utilizando para tal, nomeadamente nas habitações, técnicas e materiais tradicionais -, e na preservação do tecido social.
Esta requalificação também contribuiu para que o Centro Histórico vimaranense se tornasse um local aprazível. É um local muito frequentado por estudantes mas também pelos vimaranenses e muito apreciado pelos turistas. Aí têm lugar actividades culturais e lúdicas, principalmente no Verão, que tornam o Centro Histórico ainda mais atractivo.
Para além da importante componente histórica que caracteriza a Cidade Berço, Guimarães tem vindo a empreender trabalho na construção de equipamentos de desporto e lazer que também têm como objectivo contribuir para o aumento da qualidade de vida da sua população e para o seu desenvolvimento enquanto cidade de referência. De entre estes destacam-se:
A Cidade Desportiva de Guimarães que integra em si as Piscinas de Guimarães, a Pista de Atletismo a Pista de Cicloturismo e o Pavilhão Multiusos.
O Parque da Cidade que proporciona a todos quantos lá se deslocam a possibilidade de prática de actividades desportivas em contacto directo com a natureza envolvente.
O Complexo Multifuncional de Couros surge na sequência da intervenção de requalificação urbanística na Zona de Couros - localizada no centro urbano e detentora de um património industrial único, tradicionalmente ocupada por aqueles que se dedicavam ao fabrico de Couros.
Este complexo é composto por:
- Pousada da Juventude;
- Centro de Solidariedade Social;
- Centro de Apoio Juventude;
- Museu dos Curtumes (a executar)
O Centro Cultural Vila Flor . Este Centro Cultural, resultante da recuperação que está a ser levada a cabo no Palácio de Vila Flor, uma construção do século XVIII, é um novo equipamento que permitirá a Guimarães receber todo o tipo de espectáculos culturais, desde óperas, concertos musicais até representações teatrais, etc. Integrará também estruturas de apoio a todos quantos aí se desloquem, como restaurantes e parques de estacionamento.
A racionalização da circulação automóvel e do estacionamento é também uma preocupação da autarquia, nomeadamente no que se refere ao centro da cidade e mais concretamente ao Centro Histórico.
Nesse sentido estão a ser desenvolvidos trabalhos para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo no Largo da Mumadona, que se localiza na área adjacente à classificada pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade.
Os parques de estacionamentos previstos na obra do Centro Cultural Vila Flor vão também contribuir para essa racionalização.

É unanimemente reconhecido que o nome e a imagem do “Centro Histórico” da Cidade de Guimarães extravasaram há muito as fronteiras do domínio público, com uma sempre subjacente ideia de qualidade associada. O reconhecimento e o interesse, nacionais e internacionais, foi crescendo devido ao rigor dos critérios adoptados e aos discretos cuidados com que durante alguns anos a autarquia Vimaranense foi processando e patrocinando uma intervenção que, suscitando formas e renovando funcionalidades, reabilitou para a cidade e para o presente antigas e esquecidas espacialidades.
Em anos mais recentes foram concretizados alguns projectos e ambições antigas. A reabilitação dos espaços públicos, de edifícios municipais, cedendo a sua forma a novas funções e o apoio técnico e financeiro à iniciativa privada, constituíram três das principais linhas estratégicas que sustentam a concretização dos dois objectivos que norteiam a intervenção no Centro Histórico de Guimarães:
- A reabilitação do Centro Histórico de Guimarães visa a recuperação e preservação do património construído de qualidade formal e funcional, cuja autenticidade é necessário manter no seu todo pelo que a reabilitação passa também pela utilização dos materiais e das técnicas tradicionais.
- O segundo objectivo reside na manutenção da totalidade da população residente, dotando-a de melhores condições de habitabilidade. O trabalho de reabilitação do Centro Histórico, pelo seu rigor de intervenção e carácter exemplar, recebeu já o prémio Europa Nostra, em 1985, o 1º prémio da Associação dos Arquitectos Portugueses, em 1993 e o prémio da Real Fundação de Toledo, em 1996.
Entretanto, a assunção por parte do Município de se constituir como exemplo a seguir, reforçada na continuidade dessas acções iria induzir nos privados a iniciativa e o gosto pela reapropriação do seu espaço e também a invenção de muitas formas do viver na área antiga da cidade, marcando-as com o sentido de Colectividade e o sentido de Humanidade que têm sido e só podem ser o fundamento de uma intervenção comummente assumida. Isto significa menos dirigismo e menor empolamento formal das iniciativas públicas e das acções técnicas e regulamentares (ao contrário do que, infelizmente, tem sido mais corrente).
Tenha-se em conta que o tempo é normalmente um árduo adversário de difícil gestão, mas que não deixa nunca de ser um recurso a mobilizar e integrar, não sendo nunca, por essa razão, completamente perdido...Tudo se passa como se o mesmo herói desconhecido que descobriu esta maravilhosa filigrana envelhecida regressasse e ainda anonimamente viesse reanimar (no sentido da raiz latina...) a tradição, e apenas entreabrir um janela do futuro. O mais difícil será acordar esta personagem sem estremecimentos e sem sobressaltos.
Praça de Santiago- Segundo a tradição, uma imagem da Virgem Santa Maria foi trazida para Guimarães pelo apóstolo S. Tiago, e colocada num Templo pagão num largo que passou a chamar-se Praça de Santiago. Praça bastante antiga, referida ao longo do tempo em vários documentos, conserva ainda a traça medieval. Foi nas suas imediações que se instalaram os francos que vieram para Portugal em companhia do Conde D. Henrique. Aí estava situada uma pequena capela alpendrada do séc. XVII dedicada a Santiago que foi demolida em finais do séc. XIX.
Rua de Santa Maria- Foi uma da primeiras rua abertas em Guimarães, pois destinava-se a ser um elo de ligação entre o convento fundado por Mumadona, rodeado pela parte baixa da vila, e o Castelo situado na parte alta da vila. É já referenciada por este nome em documentos do séc. XII, embora ao seu troço superior fosse dado o antigo nome de Rua da Infesta. Ao longo do seu percurso encontramos vários testemunhos arquitectónicos do seu passado: o Convento de Santa Clara, a Casa do Arco, a Casa dos Peixotos e a Casa Gótica dos Valadares, e tantos outros que lhe dão uma identidade própria e características na cidade de Guimarães.
Largo do Toural- Considerado hoje como o coração da cidade, era no século XVII um largo extramuros junto à principal porta da vila, onde se realizavam a feira de gado bovino e outras de diversos produtos. Em 1791 a Câmara aforou o terreno junto à muralha para edificação de prédios, que foram feitos mais tarde segundo planta vinda possivelmente de Lisboa, e determina-se assim, o início da lenta transformação do Toural. Na segunda metade do século é construído o Jardim Público, rodeado por um gradeamento de ferro, que abre em 1878. Para este espaço é criado um mobiliário urbano enquadrado na nova arquitectura do ferro: coreto, mictório, bancos e candeeiros. Com a implantação da República o Jardim Público é transferido para outro local, sendo então colocada no centro do Toural, agora remodelado, a estátua de D. Afonso Henriques. Alguns anos depois esta vai para o Parque do Castelo e é substituída por uma vistosa Fonte Artística.
Rua D. João I- A Rua D. João I foi outrora uma das ruas mais movimentadas de Guimarães, uma vez que era o local de saída para o Porto. Mantém ainda um aspecto vetusto que lhe é dado pelo ambiente escuro e algo sombrio, pela estreiteza da rua e pelas casas antigas com varandas de balaústres em madeira. Um dos monumentos mais importantes que aqui pode ser admirado é o Padrão de D. João I, obra do século XVI, cujo magnífico cruzeiro é coberto por uma espécie de baldaquino renascença. Foi ligeiramente deslocado do local inicial onde se encontrava em finais do século XIX, devido ao intenso movimento da rua.